terça-feira, 19 de março de 2019

Preparar para SER CRISTÃO

Iniciar para a Vida Cristã

A catequese patrística parece constituir uma explicação dinâmica e elementar a partir de um certo número de coisas concretas, em ordem à educação da fé que suscitará a esperança e se abrirá à caridade: os acontecimentos da história sagrada, os artigos do Símbolo e os ritos dos sacramentos. Em segundo lugar, estas realidades, por essência misteriosas e com um conteúdo divino, exprimem-se por palavras, imagens e gestos extraídos do viver quotidiano. Por isso, segundo Santo Ireneu, é necessário demonstrar ou dar uma justificação ao acto de fé. Do particular ao geral, e estabelecendo a relação entre o Novo e o Antigo Testamento, procura-se encontrar uma correspondência ou fio condutor nos modos de agir de Deus nas diferentes etapas da história da salvação. O cumprimento em Cristo das profecias do Antigo Testamento constituía o grande argumento da unidade e continuidade do desígnio salvífico de Deus, desde a criação à redenção realizada no mistério de Cristo. Finalmente, após a exposição e a demonstração chega o momento da exortação, advertindo-se os catecúmenos contra as tentações a que continuarão expostos depois do baptismo e o perigo para a fé do possível confronto com o mau exemplo dos próprios cristãos. Esta catequese moral, até à plenitude da vida baptismal, no século IV é colocada em relação com o ensinamento dogmático do qual constitui a incidência prática das verdades enunciadas. Centrando seu conteúdo na tradição da fé, inspira-se fortemente na catequese Judaica, conforme testemunho do recurso frequente aos textos do Antigo Testamento. 

Primeiras Etapas

 A catequese bíblica preenche principalmente as primeiras etapas, durante as quais se comenta o essencial da Escritura ou a história da salvação na sua totalidade, desde a criação do mundo até ao tempo presente da Igreja, em cuja águas baptismais se actualiza e une num único acontecimento a libertação do êxodo e a libertação realizada pela Páscoa de Cristo. Não se perdendo no secundário, antes presta atenção ao essencial das mirabilia Dei na história da salvação. Mais do que transmitir conhecimentos ou encher e ordenar a memória dos catequizandos com listas de Reis de Judá ou de Israel e os acontecimentos da história sagrada, importa que o catequista seja capaz de parar diante dos grandes acontecimentos, penetrá-los e explicá-los de modo que seja suscitada no catequizando a admiratio das maravilhas divinas, o sentido do sagrado e a fé.  
Como quadro fundamental, não encontramos os acontecimentos mas a traditio Symboli, que veio a dar origem à catequese tradicional, oferecedora de uma espécie de tratado sobre os títulos e símbolos da fé atribuídos a Jesus: Cristo, Filho do Homem, Salvador, Pastor, Cordeiro, Pedra, Porta. Do mesmo modo São Cirilo começa a Catequese sobre o Espírito Santo apresentando os diversos sentidos da palavra Pneuma e clarificando a radical distinção entre o sentido bíblico e o sentido helénico atribuído a essa palavra, procurando evitar as muitas confusões que ainda continuam na actualidade.
Os catequistas iam fazendo a recolha dos textos do Antigo Testamento que se relacionam com os diversos dogmas cristãos, dada a importância do escriturístico e profético como realização em Cristo dos acontecimentos escatológicos previamente anunciados. A título de exemplo, cada uma das catequeses de Cirilo de Jerusalém inclui também as profecias referentes ao respectivo artigo do Símbolo. Assim para a Paixão: «Vamos demonstrá-la por meio dos profetas.» Esta catequese, baseada no argumento das Escrituras, remonta aos tempos Apostólicos e ao próprio Cristo tentando mostrar aos discípulos de Emaús que os acontecimentos da Paixão e Ressurreição tinham sido anunciados no Antigo Testamento, ao falar dos Reis e dos Profetas. (Lc. 24, 25-27).
António Novais

sábado, 29 de outubro de 2016

INICIAÇÃO CRISTÃ - Unidade Pastoral de Beja

 
 

  • Queres realizar ou completar a tua iniciação cristã?:
 
 
 BAPTISMO, CONFIRMAÇÃO E EUCARISTIA?
 
 
 
  • Já recebestes o Sacramento da Confirmação e sentes necessidade de saber mais acerca das implicações dos Sacramentos na vida quotidiana?
 
 

Dirige-te a uma das comunidades Paroquiais da tua cidade ou freguesia onde resides.
 
 

Nas Paróquias de São João Baptista (Carmo) e Santiago Maior (Sé) já iniciamos estas Catequeses ou encontros de formação.
 
 

Nestes encontros...

há também lugar para ti. 

 
 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INICIAÇÃO CRISTÃ

1. ÉPOCA APOSTÓLICA

A Igreja primitiva na sua procura de especificidade, frente ao judaísmo e abertura ao mundo do paganismo, depois de alguns desentendimentos, (Gál. 2, 11-14) decidiu no Concílio de Jerusalém que os destinatários da mensagem de que é portadora são todos os povos e, por isso, além do próprio Evangelho, não será necessária a sujeição à Lei de Moisés nem qualquer outra imposição exterior, para se tornar cristão. Vivendo num mundo pagão e frequentemente adverso, entra-se na Igreja pelo Baptismo, não como um simples rito sacramental mas antes como um processo iniciado com a preparação prévia, propiciadora da opção pessoal consciente e do alicerçar da fidelidade pós baptismal, no meio das dificuldades e perseguições.
O Apóstolo S. Paulo tomou tanto a sério o mandato do Senhor Jesus de ir pelo mundo e ensinar (cf. Mc. 16,15), convicto de que “a fé vem da pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rom. 10,17) que chega a gloriar-se de não ter baptizado “mais alguém” em Corinto (além de Crispo, Gaio e a família de Estéfanas), porque Cristo enviou-o não a baptizar mas antes a pregar o Evangelho (1 Cor. 1, 14-17). Na pregação da Igreja primitiva podemos delinear a existência de um catecumenado que consta de dois elementos básicos: a catequese  e a liturgia, em duas fases que, embora distintas, estão interligadas entre si:

1.1. Kerigma

Nesta fase inicial, sem desenvolvimento nem pormenores, procede-se ao anúncio da Boa Nova da Ressurreição de Cristo, suscitador de uma resposta, de recusa ou de adesão, e disposição de viver segundo o Evangelho para aquele que decide converter sua vida à vida de fé em Cristo. Os discursos de Pedro (Act. 2,14-39; 3, 12-26; 10,34-43), Paulo (Act. 13,16-41; 17,22-30) e Estêvão (Act. 7,2-53) deixam bem claro como o primeiro acto da Igreja é a evangelização, enquanto tempo de conversão, devendo o Kerigma estar impregnado de uma linguagem própria de uma época ou ambiente. 

1.2. Catequese


Este tempo de catequese (Act. 2, 38-40), normalmente longo, visa que o candidato dê provas da imitação de Cristo (Act. 2, 41), antes de ser admitido ao baptismo. Particular importância catequética e apologética receberam desde o início as “tentações de Jesus”, com diversas citações do Antigo Testamento, tentando demonstrar a Sua verdadeira humanidade e divindade e que, tudo o que está acontecendo já estava escrito, profetizado ou anunciado.
O catequista, tendo recebido a missão de anunciar “oportuna e inoportunamente” com “bondade e doutrina” (2 Tim. 4,2), e centrando-se no essencial da fé, apoia-se em numerosas passagens do Antigo e do Novo Testamento na instrução do catecúmeno ou aspirante ao Baptismo quanto ao conteúdo da fé  ou “caminho do Senhor” em ordem à comunhão de vida com Cristo e, por último, a sua redenção e salvação. O Apóstolo S. Paulo deixa bem claro como ele próprio intuiu esta sensibilidade quanto à sua responsabilidade de ganhar o maior número possível de discípulos para Cristo (1 Cor. 9, 19-23). A vivência da fé em ambiente de paganismo e de perseguição pedia uma especial exigência na admissão ao Baptismo para que a vida cristã pudesse oferecer qualidade. Por isso, a administração dos Sacramentos acontecia só depois de uma preparação exigente e sinais de que a fé e os costumes cristãos já iam transformando a vida dos candidatos. Apesar dos primeiros cristãos provirem sobretudo do Judaísmo, no qual o Antigo Testamento é uma espécie de grande catecumenado preparatório do anúncio de Jesus Cristo como o Messias prometido, desde o início havia a preocupação de apresentar as exigências evangélicas que devia praticar quem desejar ser inserido no corpo de Cristo. Este rigor de exigência da fé e conversão posta à prova durante a catequese – antes da admissão aos Sacramentos da Iniciação Cristã – além de compreensível, defende melhor a verdade da adesão ao Cristianismo  e a ele se deve a condição humana para a sobrevivência e desenvolvimento da Igreja.
A partir do século II, quando as comunidades se expandem pelo mediterrâneo houve a necessidade de propor o comportamento moral Evangélico e adquiriu singular importância a literatura apologética, tentando demonstrar o espaço de liberdade oferecido pelo cristianismo, sua racionalidade, sem idolatria e plenamente inserido na sociedade.  Ao mesmo tempo que se procedia à defesa dos cristãos contra as acusações falsas que lhes moviam e circulavam cada vez mais, preparavam-se também os baptizados e catecúmenos no sentido de que vale a pena viver conforme o ideal cristão e, se necessário, até ao martírio.