quinta-feira, 30 de abril de 2015

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA INICIAÇÃO CRISTÃ

1. ÉPOCA APOSTÓLICA

A Igreja primitiva na sua procura de especificidade, frente ao judaísmo e abertura ao mundo do paganismo, depois de alguns desentendimentos, (Gál. 2, 11-14) decidiu no Concílio de Jerusalém que os destinatários da mensagem de que é portadora são todos os povos e, por isso, além do próprio Evangelho, não será necessária a sujeição à Lei de Moisés nem qualquer outra imposição exterior, para se tornar cristão. Vivendo num mundo pagão e frequentemente adverso, entra-se na Igreja pelo Baptismo, não como um simples rito sacramental mas antes como um processo iniciado com a preparação prévia, propiciadora da opção pessoal consciente e do alicerçar da fidelidade pós baptismal, no meio das dificuldades e perseguições.
O Apóstolo S. Paulo tomou tanto a sério o mandato do Senhor Jesus de ir pelo mundo e ensinar (cf. Mc. 16,15), convicto de que “a fé vem da pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rom. 10,17) que chega a gloriar-se de não ter baptizado “mais alguém” em Corinto (além de Crispo, Gaio e a família de Estéfanas), porque Cristo enviou-o não a baptizar mas antes a pregar o Evangelho (1 Cor. 1, 14-17). Na pregação da Igreja primitiva podemos delinear a existência de um catecumenado que consta de dois elementos básicos: a catequese  e a liturgia, em duas fases que, embora distintas, estão interligadas entre si:

1.1. Kerigma

Nesta fase inicial, sem desenvolvimento nem pormenores, procede-se ao anúncio da Boa Nova da Ressurreição de Cristo, suscitador de uma resposta, de recusa ou de adesão, e disposição de viver segundo o Evangelho para aquele que decide converter sua vida à vida de fé em Cristo. Os discursos de Pedro (Act. 2,14-39; 3, 12-26; 10,34-43), Paulo (Act. 13,16-41; 17,22-30) e Estêvão (Act. 7,2-53) deixam bem claro como o primeiro acto da Igreja é a evangelização, enquanto tempo de conversão, devendo o Kerigma estar impregnado de uma linguagem própria de uma época ou ambiente. 

1.2. Catequese


Este tempo de catequese (Act. 2, 38-40), normalmente longo, visa que o candidato dê provas da imitação de Cristo (Act. 2, 41), antes de ser admitido ao baptismo. Particular importância catequética e apologética receberam desde o início as “tentações de Jesus”, com diversas citações do Antigo Testamento, tentando demonstrar a Sua verdadeira humanidade e divindade e que, tudo o que está acontecendo já estava escrito, profetizado ou anunciado.
O catequista, tendo recebido a missão de anunciar “oportuna e inoportunamente” com “bondade e doutrina” (2 Tim. 4,2), e centrando-se no essencial da fé, apoia-se em numerosas passagens do Antigo e do Novo Testamento na instrução do catecúmeno ou aspirante ao Baptismo quanto ao conteúdo da fé  ou “caminho do Senhor” em ordem à comunhão de vida com Cristo e, por último, a sua redenção e salvação. O Apóstolo S. Paulo deixa bem claro como ele próprio intuiu esta sensibilidade quanto à sua responsabilidade de ganhar o maior número possível de discípulos para Cristo (1 Cor. 9, 19-23). A vivência da fé em ambiente de paganismo e de perseguição pedia uma especial exigência na admissão ao Baptismo para que a vida cristã pudesse oferecer qualidade. Por isso, a administração dos Sacramentos acontecia só depois de uma preparação exigente e sinais de que a fé e os costumes cristãos já iam transformando a vida dos candidatos. Apesar dos primeiros cristãos provirem sobretudo do Judaísmo, no qual o Antigo Testamento é uma espécie de grande catecumenado preparatório do anúncio de Jesus Cristo como o Messias prometido, desde o início havia a preocupação de apresentar as exigências evangélicas que devia praticar quem desejar ser inserido no corpo de Cristo. Este rigor de exigência da fé e conversão posta à prova durante a catequese – antes da admissão aos Sacramentos da Iniciação Cristã – além de compreensível, defende melhor a verdade da adesão ao Cristianismo  e a ele se deve a condição humana para a sobrevivência e desenvolvimento da Igreja.
A partir do século II, quando as comunidades se expandem pelo mediterrâneo houve a necessidade de propor o comportamento moral Evangélico e adquiriu singular importância a literatura apologética, tentando demonstrar o espaço de liberdade oferecido pelo cristianismo, sua racionalidade, sem idolatria e plenamente inserido na sociedade.  Ao mesmo tempo que se procedia à defesa dos cristãos contra as acusações falsas que lhes moviam e circulavam cada vez mais, preparavam-se também os baptizados e catecúmenos no sentido de que vale a pena viver conforme o ideal cristão e, se necessário, até ao martírio. 

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